Associação Paraense de Jovens Criticos

Os infernais cine-clubistas e organizadores undergrounds de Belém se unem em um movimento independente que tem o Cinema como Deus e o público paraense como almas que clamam salvação. Sras e srs, olhem para os céus, o apocalipse acabou de começar.

15/10/09

Mudança de endereço!

A APJCC está de endereço novo na web!

Agora, você acompanha as ações desenvolvidas pela Associação clicando aqui.

, além das sinopses e serviço das sessões, você encontra informações sobre a Associação, o perfil de cada cineclube, as atividades desenvolvidas que já foram encerradas, sabe mais sobre os integrantes, e, é claro, todos os textos já publicados neste endereço que nos acompanhou desde março de 2008.

Aproveite e adicione aos seus favoritos!

Pra quem ainda não decorou, lá vai o endereço de novo:

Novo blog da APJCC: http://apjcc.wordpress.com/

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9/10/09

A falta de costume

“Imaturidade” e “arrogância”: dois adjetivos cunhados para classificar a postura que a APJCC assume sempre que decide quebrar o silêncio na tribuna da discussão pública, toda a vez que resolve passar da conversa de bar ao debate político.
É tido como “pedantismo” todo ato crítico, como “desrespeito” toda discordância que vem de baixo pra cima, etariamente falando; “louvável” pode ser o trabalho realizado pela Associação na cidade, mas é preciso ter “humildade”, evitar o “jogo das vaidades”.
O que acontece é uma FALTA DE COSTUME.
A era medieval, eis onde nos encontramos, uma cidade encalhada no tempo. A idéia de CRÍTICA ainda não chegou, nem com o advento da internet.
Mesmo se utilizando apenas dos textos escritos de outros críticos para antagonizar posições em relação à questões em comum, por que a maioria dos leitores insiste (ou quer ver de qualquer jeito) que estão sendo feitas críticas PESSOAIS?
Existe uma diferença entre um homem que tem sua vida privada e suas ações nesse âmbito, e este mesmo homem que tem sua vida pública e suas ações nesse outro âmbito. Existe uma diferença BRUTAL entre discutir as ações da vida privada de alguém no âmbito público e discutir a vida pública desse alguém (as ações políticas).
Talvez pela questão do tão mitificado “provincianismo” (termo também cunhado para caracterizar o “atraso” da postura dos “novos críticos”), Belém não aceita, de braços cruzados, a IDÉIA DE CRÍTICA. Quando ela surge, escudos são levantados apressadamente, existem duas posições de defesa: os mais “espertos” silenciam (para deixar claro o seu desprezo a esse tipo de ação inconseqüente), enquanto os mais “corajosos” reclamam respeito (para ratificar a preservação da dignidade da tradicional nobreza simpática).
É muito mais simples do que parece: só se diz o que se pensa sobre assuntos (que são públicos, e não privados), e se está preparado para ouvir, para depois replicar e etc etc etc.
DIÁLOGO, nada mais, nada menos.

Mateus Moura (APJCC – 2009)

p.s: Aerton Martins escreveu sobre “Amantes” de James Gray em seu blog: http://cinemanamangueirosa.zip.net/ … pretendo escrever no fim do ano sobre ele, quando lançar a minha lista de melhores e ele encabeçar (se bem que ainda vem Tarantino por aí).

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6/10/09

Priscila Brasil fala do seu cinema e de cinema, terça-feira na Ná Figueiredo

CINECLUBE INOVACINE APRESENTA:


Da parceria entre FAPESPA (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Pará), APJCC (Associação de Jovens Críticos do Pará) e Ná Figueiredo, surge o mais novo cineclube da cidade: o INOVACINE. Com regularidade quinzenal, às segundas-feiras, no espaço Ná Figueiredo (Av. Gentil Bittencourt, n°449), uma sessão cineclubista será realizada pela FAPESPA, com a curadoria da APJCC.
A programação, que inicia no dia 28 de setembro, pretende, até o fim do ano, seguir 3 linhas norteadoras, porém não totalitárias: o cinema brasileiro, o cinema documental e o cinema local.
São 10 filmes até o dia 21 de dezembro. Quatro foram escolhidos pelos membros da APJCC e receberão sua curadoria, três foram escolhidos por cineastas da região metropolitana de Belém, e os outros três são curtas-metragens dirigidos ou produzidos pelos mesmos. Nesta sessão para ilustres convidados, um filme de curta duração próprio e um de longa do seu gosto serão exibidos um após o outro; e, ao fim, uma conversa acontecerá entre cineasta e público.
O objetivo é divulgar a cultura cinematográfica mundial, refletir o cinema em si (ficcional e documental), e percorrer com os olhos e ouvidos os caminhos que ele desbrava.
Depois do sonho maravilhoso, a vigília curiosa. Assim o homem evoluiu, assim o homem evoluirá.

Mateus Moura (APJCC-2009)

Programação Inovacine:

Serra Pelada – esperança não é sonho. Priscila Brasil. 2008 (curta).


Sinopse: A expectativa de reabertura do garimpo de Serra Pelada mobiliza a população garimpeira, em meio à dívida social do Estado brasileiro.


F for Fake. Orson Welles. 19
75. 85’.


Sinopse: Rodado como um documentário, este filme introduz o personagem de Elmyr de Hory, um pintor que vive de falsificações de quadros de famosos como Van Gogh, Picasso e muitos outros, e faz passar como se fossem os originais. Welles também acrescenta à história uma atriz e um biógrafo. Com muitas semelhanças à própria vida de Welles, o diretor de Cidadão Kane ilude o espectador que já não sabe o que é real ou não. A premissa é: se Elmyr é capaz de pintar uma cópia perfeita de um quadro famoso e engana os maiores experts do mundo, então ele é tão genial quanto o verdadeiro pintor que ele está copiando?.
Comentários: Priscila Brasil

SERVIÇO:
Local: Loja Ná Figueiredo (Av. Gentil Bittencourt, 449, entre Dr. Moraes e Rui Barbosa)
Data: 13/10/09 (terça-feira)
Hora: 18:30
Entrada franca

REALIZAÇÃO: FAPESPA
PARCERIA: APJCC
APOIO: LOJAS NÁ FIGUEIREDO

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO SEMPRE NO BLOG DA APJCC: http://apjcc.blog.terra.com.br/

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Brando e Magnani em Lumet

Cine CCBEU apresenta: “Vidas em Fuga” de Sidney Lumet

Sidney Lumet sempre interessou-se pelos paradoxos e neuroses do sistema. Seus filmes possuem o poder de expressar a dolorosa sensação de queda na rachadura da Lei: seja jurídica, jornalística, policial, política ou familiar, a estrutura tradicional invariavelmente sufoca os personagens.
Em 1960 o diretor leva às telas o seu violento hino à liberdade aprisionada, ao vôo mirado, à juventude engessada. Ao convergir sob sua câmera a magia dos dois maiores poetas do seu tempo - Tenessee Williams e Marlon Brando - “Vidas em Fuga” é corpo e drama, erotismo lânguido e inferno moral. É a parábola da geração perdida nas lamacentas ruas da vida.
Miguel Haoni
(APJCC - 2009)
Serviço:
Dia 08/10 (quinta)
às 18:30 h
No Teatro do CCBEU
(Padre Eutíquio, 1309)
ENTRADA FRANCA
Realização: CCBEU
Parceria: APJCC
Apoio: Cineclube Amazonas
Cine CCBEU no Orkut:

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3/10/09

O polêmico filme de Louis Malle é o segundo filme do ciclo “Desbravando a Nouvelle Vague”

Cineclube Aliança Francesa apresenta:

Os amantes (Les amants). Louis Malle. 58. Scope. p/b. 90’.

Louis Malle, cineasta clássico, de estilo sóbrio e rigoroso, não tinha qualquer relação com os representantes da nova crítica e da “nova onda”. A verdade é que Malle foi integrado na História ao “movimento” por causa, provavelmente, da sua intenção de renovação do cinema francês – característica essencial dos “jovens turcos”. Eram enfim, os “cineastas modernos” que rompiam abertamente com o – intitulado por Truffaut – cinema da “tradição de qualidade” francesa.
Em cada novo trabalho nos anos 60, Louis Malle exerce vigor e desenvoltura. Experimentalista e provocador, o cineasta francês fez sem dúvida o “cinema de autor”, sem se repetir. Enfrentando cada projeto como um novo desafio, Malle, um grande artesão, se aventurou por vários gêneros: da comédia non-sense de Zazie ao thriller jazzístico de Ascensor para o cadafalso.
Filme que busca o físico através do psicológico e encontra o metafísico, Os amantes, Louis Malle, um pedaço de seio Jeanne Moreau, a volta bovarista, o cosmo scope, a natureza- amor, fim dos anos 50, fim da chatice no cinema francês, uma faísca de realidade.

Mateus Moura.

SERVIÇO:

Local: Fundação Ipiranga (Av. Almirante Barroso, 777, entre Tv. Humaitá e Tv. do Chaco – ao lado da Tv Cultura)
Data: 07/10/09 (quarta-feira)
Horário: 19:00
Legendas em português
Entrada franca

AÇÃO: APJCC (ASSOCIAÇÃO PARAENSE DE JOVENS CRÍTICOS DE CINEMA)
BLOG: http://apjcc.blog.terra.com.br/
COMUNIDADE:  http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?rl=cpp&cmm=37014176

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27/9/09

Tem início o ciclo “Desbravando a Nouvelle Vague”

Cineclube Aliança Francesa apresenta:


Desbravando a Nouvelle Vague

O que é a Nouvelle Vague? Um movimento? Um grupo? Uma tendência? Truffaut dizia que a única coisa em comum entre eles era a busca pelo sucesso de bilheteria e a preferência pelos fliperamas do Champs Elyseés, Chabrol brincava que se existia uma “nova onda” era preciso saber nadar…
Quem são os pais, os filhos, os bastardos, os abortos? Quem aceita, quem despreza? Quem fez, o quê? Todas essas perguntas o ciclo “Desbravando a Nouvelle Vague”, de setembro à novembro, irá explorar. Não há o tempo ideal para o panorama completo. Haverá o visto e o não visto, os clássicos e os raros. Fica o dito e o não dito. Alguma coisa há de se salvar…

Mateus Moura.

Abertura:

Caça ao leão com arco (La chasse au lion à l’arc). Jean Rouch. 1965. cor. 75’.

Quem foi Jean Rouch?
Atenção senhoras e senhores… conhecem a história do homem que desbravou a África com sua câmera e seu gravador? Conhecem a coragem e a sensibilidade, a inteligência e a curiosidade, a perspicácia e a paciência desse homem-cineasta?
Quem é Jean Rouch?
Influenciado por Flaherty, Vertov, pelo neo-realismo italiano (especialmente Rossellini), Jean seguia à risca o lema da câmera na mão e uma idéia na cabeça: o filme de autor máximo!
Quem foi Jean Rouch para a Nouvelle Vague?
O homem que influenciou o modo de filmar de um certo Coutard, que alertou para a riqueza da confusão entre documentário e ficção, que acreditou na realidade acima de tudo, e a enfrentou com uma máquina objetiva pulsando em mãos, um coração subjetivo pulsando em voz.
La chasse au lion à l’arc (Caça ao leão com arco), de 1965, filme nunca lançado em dvd no Brasil é obra rara imperdível… Jean Rouch, como de praxe, apresenta com sua voz de poeta, o filme: “Crianças, em nome de Deus, escutem a história de Gawey-Gawey, a história de seus pais, a história de seus avôs, a história dos caçadores de leão com arco!”. Filme para o futuro, Rouch narra o presente que é passado, o primitivo que muitas vezes esquecemos, a luta do homem contra a natureza que tanto ouvimos falar… vemos a morte, a luta contra a morte, a vida, a luta contra a vida, vemos o mundo em estado bruto… tudo graças ao cinema, tudo graças ao cineasta.

Mateus Moura.

SERVIÇO:

Local: Fundação Ipiranga (Av. Almirante Barroso, 777, entre Tv. Humaitá e Tv. do Chaco – ao lado da Tv Cultura)
Data: 30/09/09 (quarta-feira)
Horário: 19:00
Legendas em português
Entrada franca


Resto da Programação:

07/10 – Os amantes (Les amants, Louis Malle, 58)
14/10 –  Bob, o jogador (Bob, Le flambeur, Jean-Pierre Melville, 56)
21/10 - Minha noite com ela (Ma nuit chez Maud, Eric Rohmer, 69) *Comentários de Ernani Chaves
28/10 – não haverá programação

04/11 - Os incompreendidos (Les 400 coups, François Truffaut, 59)
11/11 – Os guarda-chuvas do amor (Les parapluies de Cherbourg, Jacques Demy, 61) *Comentários de Cauby Monteiro
18/11 – Nas garras do vício (Le beau Serge, Claude Chabrol, 58)
25 /11 – Celine e Julie vão de barco (Celine et Julie vont en bateau,Jacques Rivette, 74)

AÇÃO: APJCC (ASSOCIAÇÃO PARAENSE DE JOVENS CRÍTICOS DE CINEMA)
BLOG: http://apjcc.blog.terra.com.br/
COMUNIDADE:  http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?rl=cpp&cmm=37014176

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22/9/09

ESTRÉIA O INOVACINE COM CABRA MARCADO PARA MORRER

Da parceria entre FAPESPA (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Pará), APJCC (Associação de Jovens Críticos do Pará) e Ná Figueiredo, surge o mais novo cineclube da cidade: o INOVACINE. Com regularidade quinzenal, às segundas-feiras, no espaço Ná Figueiredo (Av. Gentil Bittencourt, n°449), uma sessão cineclubista será realizada pela FAPESPA, com a curadoria da APJCC.
A programação, que inicia no dia 28 de setembro, pretende, até o fim do ano, seguir 3 linhas norteadoras, porém não totalitárias: o cinema brasileiro, o cinema documental e o cinema local.
São 10 filmes até o dia 21 de dezembro. Quatro foram escolhidos pelos membros da APJCC e receberão sua curadoria, três foram escolhidos por cineastas da região metropolitana de Belém, e os outros três são curtas-metragens dirigidos ou produzidos pelos mesmos. Nesta sessão para ilustres convidados, um filme de curta duração próprio e um de longa do seu gosto serão exibidos um após o outro; e, ao fim, uma conversa acontecerá entre cineasta e público.
O objetivo é divulgar a cultura cinematográfica mundial, refletir o cinema em si (ficcional e documental), e percorrer com os olhos e ouvidos os caminhos que ele desbrava.
Depois do sonho maravilhoso, a vigília curiosa. Assim o homem evoluiu, assim o homem evoluirá.

Mateus Moura (APJCC-2009)

Programação Inovacine:

28/09 - Cabra Marcado Para Morrer. Eduardo Coutinho. 85. p/b & cor. 119’.

Um filme documental sobre um filme de ficção que não pôde ser terminado pela censura política que esta fita ia abordar - reconstruindo ficticiamente um caso real. Então: um projeto fílmico que vai ser retomado, 17 anos depois, refletindo na sua própria História, a sua morte prematura e indesejada. Ressuscitado, o filme, além de iluminar a realidade do contexto que o impediu, capta o som das vozes que envelheceram neste tempo em que não foram eternizadas na película. Vemos a mudança de discursos, a reflexão de um caso agora mais distante, o aparecimento de personagens que na época eram crianças e que agora assumem posições, as lágrimas de nostalgia, as lágrimas de ranços nunca curados, os sorrisos de contentamento ao ver imagens da juventude física, as fotos de um momento importante (para a macro e a micro história).
Uma reflexão sobre a luta de classes, a reforma agrária, a miséria do povo, a perseguição política, a Justiça injusta, a religião popular, o trabalho, a morte, a linguagem cinematográfica, a posição política do cineasta, a briga entre cineasta-cientista e seu objeto, a mudança do contexto nacional, a História, as vidas, os relatos pessoais… Tudo isso em linguagem de imagem/som, não em escrita. Trabalho etnográfico, antropológico, sociológico, ontológico, artístico.
Eduardo Coutinho faz um cinema que muda a vida diretamente, ao invés de um documentarista de classe média que “conscientiza o povo das injustiças sociais” (algo muito comum na década de 60), o cineasta participa e modifica a vida das pessoas; seu cinema não tem a petulância de ensinar, mas, ao contrário, a humildade de aprender, a vontade de ajudar e a sensibilidade de conversar.
“Cabra marcado para morrer” é um filme que ilumina o passado, o presente e o futuro do cineasta e do cinema brasileiro, é obra importantíssima para compreender e mergulhar no cinema nacional.

Mateus Moura (APJCC-2009)

12/10 - Serra Pelada – esperança não é sonho. Priscila Brasil (curta).
F for Fake. Orson Welles. 75. 85’.
Comentários: Priscila Brasil

26/10 - Eles Não Usam Black Tie. Leon Hirszman. 81. Cor. 120’.

09/11 - Outras Histórias. Darcel Andrade e Wilza Brito (curta).
Filhos do Paraíso. Majid Majidi. 97. Cor. 89’.
Comentários: Darcel Andrade

23/11 - Serras da desordem. Andrea Tonacci. 06. p/b & cor. 135’.

07/12 - Açaí com Jabá. Alan Rodrigues, Marcos Daibes e Walerio Duarte (curta).
Estômago. Marcos Jorge. 07. Cor. 113’.
Comentários: João Inácio

21/12 – Iracema - uma transa amazônica. Jorge Bodanzky e Orlando Senna. 76. Cor. 91’.

SERVIÇO:
Local: Loja Ná Figueiredo (Av. Gentil Bittencourt, 449, entre Dr. Moraes e Rui Barbosa)
Dia da semana: segunda-feira
Hora: 18:30
Entrada franca

REALIZAÇÃO: FAPESPA
PARCERIA: APJCC
APOIO: LOJAS NÁ FIGUEIREDO

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Underground de Kusturica do CCBEU

Cine CCBEU apresenta: “Underground” de Emir Kusturica
“Underground” é um poema à geografia do delírio. Emir Kusturica sabe, como todo grande artista, que a melhor maneira de dizer a verdade é mentindo e o faz quando, ao abrir o alçapão de seu universo, revela uma criação que alia comédia política, alegoria farsesca, música cigana e caricatura numa mise-en-scéne embriagada de desenho animado e traumas de guerra. Tudo no tudo.
Miguel Haoni
(APJCC - 2009)
Serviço:
Dia 24/09 (quinta)
às 18:30 h
No Teatro do CCBEU
(Padre Eutíquio, 1309)
ENTRADA FRANCA
Realização: CCBEU
Parceria: APJCC
Apoio: Cineclube Amazonas Douro

Programação de outubro na comunidade do Cine CCBEU:
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=87934260

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O resgate da inocência

“O desenho não é só um prodígio da computação gráfica. Tem conteúdo, sendo este não uma ingênua moral de fábula como se pode supor se visto na superfície”.

O segredo de qualquer filme de animação está na historia e não nos métodos para contá-la”. E ainda: “Para cada risada deve haver uma lágrima… o coração é que importa”.

“Cinema não é só a racionalidade estética. É a arte sensibilizando e extraindo emoções”.

O que tem de tão errado nessas três frases acima (extraídas do texto de Luzia Miranda Álvares sobre UP) que me motivam a escrever um segundo texto sobre a nova ANIMAÇÃO da Pixar?

A questão central é que desde muito tempo as animações da Pixar sofrem com o que de pior se pode fazer com qualquer obra de arte: defendê-la pelos motivos errados. Sim, porque se falassem mal de Up, por exemplo, com argumentos sem fundamento seria mais fácil de provar o contrário com argumentos bem fundamentados.

Comecemos do começo: “o desenho não é um prodígio da computação gráfica”. “SÓ”?! Como assim “SÓ”? Me sinto algo perplexo por ter que lembrar que a animação é uma LINGUAGEM, não um gênero narrativo, e que LINGUAGEM quer dizer, antes de qualquer coisa, uma FORMA DE EXPRESSÃO. Por que a Literatura, a Escultura, a Pintura e o Cinema não são a mesma coisa? Porque cada uma dessas artes utiliza uma linguagem para se expressar, e como existe um número algo limitado de temas no mundo (quantos já falaram de amor, guerra, paz, ódio, amizade, sexo, violência?) o crítico de arte não deveria levar em conta, antes de qualquer coisa, COMO essas questões são tratadas? Ou por acaso existe uma hierarquia de assuntos, de temáticas, que são uns mais dignos e importantes do que os outros? A Declaração Mundial dos Direitos Humanos é uma obra mais importante do que Curtindo a vida adoidado por tratar de assuntos mais “sérios”? Mas, vou com calma, e me detenho na já citada perplexidade diante do início dessa citação de Luzia Miranda Álvares.

UP é um prodígio da ARTE de fazer animação utilizando a computação gráfica sim, e isso já basta. A animação digital não usa lápis e papel, usa mouse e programas de computador: a Pixar faz de uma máquina uma ferramenta para produzir a beleza estética das suas produções – e se não fizesse isso bem, quero deixar bem claro, eu não me daria ao trabalho de escrever nem 1 linha sobre as suas animações nem que elas contassem a saga de toda a humanidade em um curta de 1 minuto. O que me leva a segunda parte dessa primeira citação: “Tem conteúdo, sendo este não uma ingênua moral de fábula como se pode supor se visto na superfície”. Mais uma vez a perplexidade. Estaria se falando das fábulas clássicas? Aquelas que crescemos ouvindo de nossos pais? Aquelas que Walt Disney passou para a sua linguagem produzindo clássicos geniais e eternos como A Bela Adormecida, Alice no País das Maravilhas e Peter Pan? Mais uma vez não entendo (ou prefiro não entender) do que a crítica está falando. É necessariamente ruim uma fábula ser ingênua? E ter moral? E a que espécie de moral se refere aqui?

Gosto muito de uma crítica publicada no site da Revista Cinética, assinada por Diego Assunção, que fala sobre Wall-e, e que inicia da seguinte forma: “Wall-E é um filme infantil. Só que engana-se quem pensa que o uso da palavra “infantil” trata de algo inferior. Infantil está mais para uma denominação que, consigo, leva a arte para aquilo que deveria ser o seu real objetivo: um instrumento de libertação”. Mas que libertação é essa? Felizmente Assunção continua e se explica lindamente: “Por que o gênero infantil é “libertino”? Primeiro por causa do seu público, muito mais disposto a confiar e aceitar também a liberdade que o artista possa vir a tomar em qualquer inverossimilhança de roteiros, de regras morais, físicas e geográficas. Sendo a criança rebelde, livre por natureza (lembremos de Jean Vigo e seu Zero de Conduta), ela é a primeira a aceitar com os olhos livres e os corações abertos uma história de amor improvável, protagonizada por um casal formado por uma bela mulher e um monstro (A Bela e a Fera); a sentir as implicações morais e éticas do nariz mentiroso de Pinocchio (no filme homônimo); ou acompanhar com esmero a via-crúcis de um rato para se tornar cozinheiro (Ratatouille)”.

Espero que com as palavras de Assunção eu tenha deixado claro o motivo pelo qual o adjetivo “ingênua” me causou tamanha comoção. O que não falta é gente para elogiar as animações da Pixar por não serem “apenas para crianças”, por possuírem um “subtexto interessante para adultos”. Nada me causa mais asco: é desrespeito com a Pixar e com as crianças, além de ser ignorância – uma das coisas que têm ficado cada vez mais claras nas últimas produções da Pixar é o fato de que os seus artistas fazem a obra que querem sem uma obrigatoriedade com públicos pré-determinados.

Quem assistir os extras da edição especial de décimo aniversário de Toy Story encontrará John Lasseter, Pete Docter e Andrew Stanton (respectivamente diretores de Toy Story, Monstros S.A. e Wall-e) conversando sobre como foi imprescindível para a produção das sagas de Woody e Buzz Lightyear que eles pudessem trabalhar em LIBERDADE. Sem se preocupar com o “fato” de que as crianças “esperavam” um vilão, muita cantoria e uma história de amor ali pelo meio da história: Lasseter fez a animação que quis e como grande animação que é foi apreciada por muitos e muitos – crianças e adultos, cada um apreendendo aquele universo de uma forma e sento cativado por diferentes motivos.

A Pixar faz suas animações para o mesmo público que Alfred Hitchcock fazia seus filmes: os apreciadores de grandes obras de arte. Walt Disney fazia suas animações tradicionais (nomenclatura meramente classificatória), com seus vilões, sua cantoria, sua história de amor ali pelo meio e as fazia genialmente, por quê? Porque ele se importava com a forma com que iria contar a história.

O que nos leva à próxima citação, que na verdade é a crítica belenense citando Mr. Walt Disney: “O segredo de qualquer filme de animação está na historia e não nos métodos para contá-la”. Citação que pode enganar leitores desavisados: sim, Walt Disney realmente disse isso – falta um detalhe, no entanto. Os “métodos” a que ele se refere são os meios pelos quais você vai resolver contar uma história: ele não se importava se fosse em animação tradicional ou com a câmera cinematográfica – contanto que essa história fosse BEM CONTADA. Realmente, para Walt Disney a história tinha um lugar essencial nas suas produções, o que só reforça o fato de que, sendo ele tão apaixonado por aquilo que ia contar, é uma preocupação central e indispensável como essa narrativa nos será apresentada. Afinal que espécie de contador de história é tão apaixonado pelo seu conteúdo que prefere narrá-la de qualquer jeito? E indo para um exemplo mais cotidiano, que humorista simplesmente deixa de lado o modo como vai contar uma piada acreditando única e estritamente nas palavras que ele vai agrupar para formar sentenças que provoquem o riso?

Por fim chegamos a última citação: “Cinema não é só a racionalidade estética. É a arte sensibilizando e extraindo emoções”. Acho que nesse ponto do texto não preciso mais lembrar o leitor que a Pixar não faz cinema e sim animação (usei o caps lock acima por um motivo). Então vamos logo à parte mais absurda: a “racionalidade estética”. Duvido muito que Federico Fellini, Glauber Rocha, Roberto Rossellini e Martin Scorsese se refiram às suas preocupações estéticas como apenas “racionais”. Ver um filme de Glauber Rocha é sentir o sangue e o coração do diretor em cada fotograma seu, na criação de uma estética própria. Toda a dor de cabeça que esses e muitos outros grandes diretores de cinema têm por conta das questões estéticas estão construindo algo que está sendo dito sim, mas não podemos nunca esquecer que o que se conta só é o que se conta pela forma como se conta. Quem se esquece da fábula do rei que mandou matar os mais diversos videntes que lhe diziam que toda sua família seria destruída e só ele restaria sozinho e que elegeu um único vidente como seu conselheiro por este ter-lhe dito que sua família seria levada à morte mas que ele sobreviveria como o sol que iluminaria o futuro da nação e levaria seu povo à bonança? AINDA preciso dizer que foi o jeito que o vidente/conselheiro usou para dar a notícia que salvou sua cabeça?

Eu não amo Taxi Driver porque fala sobre violência, nem A Doce Vida porque fala do vazio existencial de uma geração, e muito menos Terra em Transe por ser uma crítica política: amo esses filmes porque disseram o que disseram maravilhosamente, utilizando a imagem (recurso máximo do cinema) de formas ESTETICAMENTE lindas. Não há apenas racionalidade nisso: isso É a sensibilização, isso É a extração de emoções.

UP foi mal defendido. A sensibilidade de Pete Docter passou despercebida. A sua genial ontologia de objetos, a perfeita construção de personagens, as brilhantes elipses para mostra a passagem do tempo – tudo foi reduzido a quase nada e nos deparamos com críticos elogiando a discussão de “direitos humanos” durante a animação. E mesmo quando se trata do conteúdo que existe, este é negligenciado: até agora não li uma palavra sobre a última cena – a casa à beira da cachoeira, a maneira de Docter nos mostrar pela imagem que é preciso, sim, seguir em frente, mas para isso existem certas coisas que precisamos levar conosco para continuarmos a ser capazes de ir adiante. Eu já havia dito isso, quando comentei o texto de Luzia Miranda Álvares em seu blog, porém até agora meu comentário não foi “aprovado”. Luzia diz que está aqui para construir. E eu pergunto: construir o que?

(Felipe Cruz – 2009)

“Ao planejar um novo filme não pensamos em adultos, não pensamos em crianças. Pensamos naquele lugar bem puro dentro de todos nós que o mundo nos fez esquecer e que o filme pode resgatar.” (Walt Disney)

p.s: texto de Luzia Miranda Alvares que é citado: http://www.blogdaluzia.com/2009/09/ainda-up.html ou http://www.blogdaluzia.com/2009/09/up-altas-aventuras.html
p.s2: se os textos acerca dessas questões estão sendo publicados na coluna ‘Panorama’ do jornal ‘O Liberal’, peço que este componha a discussão.

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21/9/09

Uma arte chamada cinema

Das 41 linhas do texto de Luzia Miranda Alvares sobre o filme do ano (Inimigos Públicos) 29 são para nos contar o enredo. Das parcas 12 restantes, nada se fala sobre o que realmente interessa… Não, tudo bem, vamos ser generosos, existe uma linha (a última) que a nossa maior crítica se detém sobre a questão cinematográfica, lá está:
“Trabalho interessante de um diretor muito talentoso.”
Afinal, Luzia Miranda Alvares é crítica de que? De cinema?… Afinal, Inimigos Públicos é obra de que? De cinema? …
Acreditamos, quando lemos críticas deste viés, que o cinema deveria ser apresentado como uma arte plástica antes de ser uma arte narrativa, simplesmente para tentar sanar o velho vício da repetição da estória, da recontação do enredo. É impressionante, mas ainda se acredita que a beleza de Inimigos Públicos ou Up está no o que é dito e não no como. O cinema americano tradicional não é um veículo para se contar uma estória, mas uma ferramenta; e é daí que vem toda a confusão.
Luzia Miranda Alvares vem de uma tradição de críticos que não serviram para nada a não ser alienar gerações de cinéfilos tapando seus olhos e seus ouvidos para o que há de mais essencial nessa arte. Afinal, se o cinema é só contar uma estória, porque tantos diretores bateriam tanto a cabeça com elementos (ou “racionalidades estéticas insensíveis”) como enquadramento, mise-en-scène, movimento de câmera, montagem, som, luz?
Ser escritor de sinopses opinativas, ou produtor de resenhas estéreis, ou narrador de superficialidades, ou aplicador de adjetivos, ou enterteiner jornalístico, ou esbanjador de enciclopedismo primário, sem dúvida não é ser crítico de cinema. Conhecer uma obra cinematográfica não é conhecer o ator, o produtor, o diretor, o ano em que o filme foi feito e quantos “oscares” ele levou, mas conhecer sua linguagem, seu estilo, seu autor. O papel do crítico de arte é dialogar sobre algo que interesse enquanto pensamento acerca da experiência estética durante e após a contemplação da obra de arte. E isso não quer dizer que um crítico não tenha a possibilidade de ser bom por questões geográfico-econômicas ou etárias, em um país subdesenvolvido como o Brasil, jovens como Ruy Gardnier são lidos gratuitamente na internet e sabem do que falam; sobre o papel do crítico ele diz: “Creio que o papel de um crítico é iluminar certos aspectos artísticos e influenciar seu leitor a observar além da superfície da obra (a intriga, os atores etc.) e travar contato com sua criação expressiva”.
Inimigos Públicos não é a obra que é pelo trabalho de reconstrução (competentíssimo por sinal) da produção, mas pela permanente reconstrução plano a plano da geografia em que John Dillinger está imerso. A cena em que Dillinger é morto é um belo exemplo, ali Mann utiliza todo seu arsenal estético-técnico: a mise-en-scène da multidão entre John e seus algozes, a câmera lenta utilizada no momento certo dilatando a duração dramaticamente, a decupagem em singles-shots (planos que colocam um só personagem em destaque)… “Mise-en-scène”, “câmera lenta”, “decupagem”, “single-shots”, palavras pouco vistas nos textos escritos diariamente para O Liberal na coluna Panorama… Falar sobre Cinema é falar sobre Tempo e Espaço e não sobre o tempo da lei seca e o espaço de Chicago. Falar sobre Cinema é falar de duração, corte; enquadramento, extracampo.
Tudo bem, é importante localizar o filme em seu contexto histórico, principalmente do gênero gângster (um gênero histórico), mas basta 1 linha.
1 linha para falar de cinema e de Michael Mann sobre Inimigos Públicos, e: “Trabalho interessante de um diretor muito talentoso” é fazer qualquer coisa, menos crítica de arte, não dessa arte chamada cinema.

p.s: se os textos acerca dessas questões estão sendo publicados na coluna ‘Panorama’ do jornal ‘O Liberal’, peço que este componha a discussão.
p.s2: texto de Luzia Miranda Alvares que é citado: http://www.blogdaluzia.com/2009/07/inimigos-publicos.html

(Cauby Monteiro & Mateus Moura, APJCC-2009)

criado por cinemateus    20:50 — Arquivado em: Sem categoria
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