Associação Paraense de Jovens Criticos

Os infernais cine-clubistas e organizadores undergrounds de Belém se unem em um movimento independente que tem o Cinema como Deus e o público paraense como almas que clamam salvação. Sras e srs, olhem para os céus, o apocalipse acabou de começar.

20/9/09

Todos dizem eu te amo…

Se me contassem não acreditaria, chega a ser inverossímil a patética luta do casal 20 do cinema paraense na proteção da sua falsa lenda. No seu último artigo (“Chamem chapeuzinho vermelho!”), Pedro Veriano responde as críticas feitas por Francisco Weyl (no texto “Nem lobo nem chapeuzinho, a culpa é dos narradores”), botando no mesmo saco o que ele chama de “jovens críticos”. Fazendo a citação já manjada em seus textos da frase de Lampedusa e as metáforas nada funcionais sobre a esperança e o amor, o nosso mais antigo amante de cinema fala muito para não dizer nada, enquanto Luzia escreve o segundo texto sobre Up recontando (em palavras) a estória que todos já viram (em imagens).
Me interessei bastante pelos textos do Veriano quando ele reclama da forma como os poderes públicos tratam o cinema e a cultura na cidade, sua indignação e sua contribuição na discussão de um problema cultural público me emociona, admito que pela primeira vez “ponho fé” no Dr. Pedro. Pena que ele se faça de surdo, mudo e cego para várias questões. Quando ele diz que “sinceramente eu gostaria de ver os reclamantes de hoje à testa dos projetos de produção e exibição cinematográfica regional” ele só lê a coluna da sua mulher (Luzia Miranda Alvares) e do seu companheiro da Troppo (Marco Antonio Moreira); se fosse nos quadradinhos veria que toda semana tem duas programações (no CCBEU e na Aliança), que na Marambaia e na Campina exibem filmes locais, que de 15 em 15 dias um filme maldito é exibido no Líbero, que um ano atrás haviam períodos que existia uma programação de 4 filmes por semana, gratuita e com debate e ensaio crítico escrito distribuído no fim. Se “os críticos dos críticos” não ganharam um espaço foi apenas o que os “velhos críticos” embargam, e, pior, cantam, de cara dura, que divulgam e apóiam as atividades cineclubistas locais.
“O problema das exibições alternativas existia” em 2007, quando a famigerada APCC, do alto do seu trono, fazia listas no fim do ano e era convidada para falar de cinema e do seu heroísmo enquanto a cidade estava entregue ao moviecom. Em 2007, na criação do Cine UEPa, os contatos com o Dr. Pedro e a Dona Luzia foram feitos, o apoio foi pedido, convites foram propostos, Mosqueiro na sexta era sagrado, o cinema e o cineclubismo podiam esperar (entretanto em programações de universidade no Líbero no mesmo horário, um jeito se dava). Não é uma questão de rancor ou “choramingação”, mas de fatos. Ninguém parou, todo mundo foi sozinho, construiu sem ajuda de ninguém, e com certeza foi melhor assim. O chato é ficar ouvindo papo-furado, o chato é ficar vendo as falsas-lendas dizendo que divulgam, que fazem crítica, que defendem o cinema, que são bons e educados. A verdade é que o cinema no Pará estava morrendo pelas falsas lendas… estava.
E se é pra fazer um parágrafo dizendo o que é amar cinema, digo com negações entre parênteses: Amar cinema é querer ver o filme em seu formato completo (não exibir um filme com 20% da tela fora como é feito no IAP e nem se tocar), amar cinema é pensar e, quando ter a oportunidade, falar de cinema (não assistir Rebecca e falar de feminismo, ou No tempo das diligências e falar de racismo), amar cinema não é ser “cult”, nem “cinemaníaco”, mas pelo menos ter visto e saber do que se trata o filme que decidiu exibir (não dizer que Cat people é um clássico do cinema francês e recomendar fingindo que é um guru cinematográfico), amar cinema é escrever sobre cinema (não reescrever o enredo do filme e dar estrelas de qualidade)…
Amar cinema não consiste apenas em escrever que ama cinema.

p.s: Se só o Lobo sabe mexer nos equipamentos do Centur e foram contratados, via concurso público, senhores que não dominam a técnica do equipamento que lidam, a culpa só pode ser do processo. Se se contrata um técnico, ou lhe é cobrado o pré-requisito de dominar a mecânica do serviço, ou - se se contrata o homem sem técnica - o empregador providencia a capacitação.
p.s2:se os textos acerca dessas questões estão sendo publicados na coluna ‘Panorama’ do jornal ‘O Liberal’, peço que este componha a discussão.
p.s3: link do texto de Pedro Veriano que este, de certa forma, responde: http://www.blogdaluzia.com/2009/09/chamem-chapeuzinho-vermelho.html

Mateus Moura (APJCC – 2009).

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12/9/09

Jack Nicholson protagoniza o clássico neo-noir de Roman Polanski, quinta no Cine CCBEU

Cine CCBEU: “Chinatown” de Roman Polanski
Um ano de grandes filmes no cinema norte-americano marca a volta do diretor aos Estados Unidos após a tragédia que envolveu o assassinato de Sharon Tate. Roman Polanski, aproximadamente 4 anos depois de ter perdido a esposa pelas mãos do maníaco Charles Manson, volta à América para dirigir o que muitos chamariam a sua obra-prima. Chinatown retrata a podridão que se esconde numa cidade tão controversamente acolhedora quanto a Los Angeles dos anos 1930 foi, inclusive, para os vários diretores europeus que fugiam da guerra no velho continente. A figura do detetive particular J.J.Gittes, interpretado por um Jack Nicholson fenomenal, guia a câmera de Polanski, que, por sua vez, guia o olhar do espectador. Como ele, somos enganados, manipulados e descobrimos que também não sabemos com o que estamos lidando. Até que as coisas se desvendam aos poucos e o caso de adultério se transforma em uma complicada trama política que reconstrói o processo de incorporação do Vale San Fernando em 1915, para desembocar em uma verdade tão dura quanto inimaginável: um terrível segredo de família. Com elenco que traz ainda Faye Dunaway e John Huston, o filme, rotulado com a alcunha de neo-noir, é mais que uma simples homenagem a um gênero cinematográfico: é obra de arte e, como tal, autônoma e independente. Se você nunca assistiu a um noir, não precisa se questionar se irá entender Chinatown. Sim, você irá e, sobretudo, irá senti-lo. Nesse caso, a pergunta mais adequada a fazer é: Você conseguirá esquecer?
Juliana Maués
(comentadora convidada)
Serviço:
Dia 17/09 (quinta)
às 18:30 h
No Teatro do CCBEU
(Padre Eutíquio, 1309)
ENTRADA FRANCA
Realização: CCBEU
Parceria: APJCC
Apoio: Cineclube Amazonas Douro

Mais informações na comunidade do Cine CCBEU no orkut:
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=87934260

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Em comemoração aos 2 anos do Grupo Fellinianos, Belém recebe de presente a MOSTRA JEAN ROLLIN – “O BRETCH DOS VAMPIROS”

CINE LÍBERO LUXARDO DO CENTUR E APJCC APRESENTAM

SESSÃO MALDITA: MOSTRA JEAN ROLLIN – “O BRETCH DOS VAMPIROS”

DIAS 12 E 26 DE SETEMBRO DE 2009, ÀS 21H30

ENTRADA FRANCA

Mostra Jean Rollin – “O Bretch dos Vampiros”

Serão exibidos dois títulos, em DVD com legenda em português, do cineasta francês Jean Rollin. A mostra em Belém será realizada com a colaboração do crítico Adolfo Gomes e o grupo “Fellinianos”, como comemoração aos dois anos de atividades deste grupo.

Dia 12/09/2009

Lábios de sangue (Lèvres de sang, França, 1975)

Direção: Jean Rollin

Duração: 88 minutos

Legendas em português

Elenco: Jean-Loup Philippe, Annie Belle, Nathalie Perrey e Martine Grimaud

Sinopse: Desde que seu pai morreu, Frederick tem dificuldades em lembrar-se de sua infância. Até que a imagem de um castelo desperta estranhas recordações de um passado obscuro. A partir daí, há uma busca incessante de Frederick para reconstruir esse passado. Considerado um dos filmes mais líricos de Jean Rollin.

Dia 26/09/2009

A prometida de Drácula (La fiancée de Dracula, França, 2002)

Direção: Jean Rollin

Duração: 91 minutos

Legendas em português

Elenco: Cyrille Iste, Jacques Orth, Thomas Smith e Sandrine Thoquet

Sinopse - Penúltimo filme dirigido por Jean Rollin, mostra a busca de um professor pelos descendentes de Drácula. Uma pista acaba levando-o a uma mansão cheia de estranhas freiras, conhecidas como a “Ordem das Virgens Brancas”.


Jean Rollin por Adolfo Gomes*

Tudo é recusa no cinema do francês Jean Rollin. Obrigado a fazer fitas pornôs, sob variados pseudônimos (Michel Gentil, Robert Xavier, J. A. Lazer, entre outros), para financiar projetos mais pessoais e, em última instância, sobreviver no mundo nada respeitável ou artístico do cinema, Rollin sempre teve que lidar com os limites impostos pelas condições precárias de produção e preconceitos inerentes ao dito cinema de gênero.

Sem nenhuma reputação a defender – pelo menos junto aos críticos franceses, por que os demais simplesmente o ignoram – ele optou por escancarar as restrições orçamentárias e realizar as mais (aparentemente) apelativas fitas de terror, sobretudo de vampiro(a)s, que poderia imaginar. Seria mais um hábil manipulador de fórmulas, não fosse pelo seu talento em desfazer as amarras que deveriam aprisioná-lo.

Muito já se falou dos cineastas contrabandistas, daqueles que no seio da própria indústria cinematográfica conseguiram consolidar obras autorais. Os críticos franceses do pós-guerra chegaram a edificar uma política (“a política dos autores”) para resgatar o mérito criativo desses realizadores. Mas nenhum deles operou em terreno tão inóspito quanto Rollin. 

Desde os seus primeiros longas-metragens, Rollin lidou com a ira dos próprios fãs de filmes de horror, que não admitiam a “falta de sentido das suas histórias”. Conta a lenda que a sala de exibição que fazia a estréia de “Le Viol du Vampire” (1967) escapou por pouco da depredação completa.

Embora seus filmes ofereçam fartas doses de violência gráfica, mulheres nuas e cenas de sexo, Rollin nunca caiu na graça definitiva dos apreciadores dos filmes de gênero, sobretudo porque tais “medidas comerciais” nada têm a ver com concessão de sua parte. Ao contrário, quando filma a violência gráfica não se esquiva de ressaltar todo o artificialismo da encenação. Nas cenas de sexo ou de nudez, evita qualquer erotismo.

O procedimento é quase científico: quando o sexo é consentido, é puramente descritivo, como numa cartilha de educação sexual, com planos gerais em cenas ao ar livre e big closes em ambientes fechados. Se imposto, o sexo é repugnante. As várias cenas de estupro presentes nos filmes de Rollin estão entre as mais cruéis e terríveis do cinema.

Rollin é uma espécie de Brecht dos vampiros, alguém que está sempre a lembrar o papel do espectador, sempre a chamá-lo à consciência da representação. E fazer tal transgressão dentro do gênero horror, cuja adesão da platéia à narrativa parece ainda mais essencial para o sucesso do “efeito medo” ou “repulsa”, não é a maior ousadia de seus filmes.

A recusa da representação nos trabalhos de Rollin é mais radical. Seus protagonistas falam pouco, não têm expressão e nem versam sobre as suas motivações – ele prefere utilizar, em sua maioria, atores amadores ou saídos das suas produções pornôs.

Também não há qualquer traço de psicologia em seus personagens. Ao contrário, eles parecem surpreendidos a todo instante por eventos sobre os quais não tem o menor controle. Não por caso, estão invariavelmente em fuga e, ao mesmo tempo, presos num instante de vida que não oferece retorno ou redenção.

As tramas dos filmes de Rollin frustram a todo o momento a mitologia do gênero a que se filiam. Em “Requiem pour un Vampire” (1971), por exemplo, o vampiro do título é quase paterno diante de suas pretensas vítimas. Já em “La Morte Vivante” (1982), prevalece a solidão diante do fascínio gerado pela imortalidade.

O misterioso vírus que acomete os personagens de “La Nuit des Traquées” (1980), extraindo-lhes a memória, é outro exemplo de desconstrução do gênero por Rollin. Filmado numa Paris entre a madrugada e o amanhecer, num imponente edifício comercial vazio, o thriller de perseguição que o título sugere converte-se num poema visual entre o grotesco e o sublime, no qual as buscas dos protagonistas são “apagadas” constantemente, rompendo com o desenvolvimento narrativo convencional.

Reserva criativa pouco explorada e vista, o cinema de Rollin é habitado por seres fantásticos assustadoramente parecidos com todos nós.”

*Adolfo Gomes (Hoje reside e organiza mostras de cinema na Bahia. Organizou por muito tempo diversas mostras da cinematografia mundial em nossa cidade, faz parte da ACCPA)

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Textos da APJCC acerca de Up - altas aventuras, de Pete Doctor

http://whocouldimagine.blogspot.com/2009/09/o-espirito-de-aventura.html

http://cinemateusmoura.blogspot.com/2009/09/uma-arte-que-sonha-e-que-nos-faz-sonhar.html

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10/9/09

O melhor do Cinema político no Cine CCBEU

Cine CCBEU apresenta: “Soy Cuba” de Mikhail Kalatozov

Super produções e filmes politicamente engajados dividem, no cinema contemporâneo, o ranking da mediocridade estética. Segundo seus produtores tal pobreza estilística justifica-se no primeiro caso para atender ao gosto televisivo e infanto-juvenil do espectador médio que procura o cinema para saciar sua fome de espetáculos enlatados; no segundo, o argumento é que a nobre causa deve ser abordada sem “firulas” (leia-se liberdade criativa) em respeito à “realidade” da triste vida do homem comum. Em ambos os casos os resultados são pífios, apáticos, são filmes nati-mortos que encerram discursos.
Esta cruel realidade é confirmada quando, no início de nossa década, Martin Scorsese e Fracis Ford Coppola descobrem uma produção russo-cubana engavetada por mais de 30 anos. “Soy Cuba” de Mikhail Kalatozov é um filme maldito porque seu autor cometeu a ousadia de aliar grande orçamento, panfleto político e (tremei companheiros!) vigor estilístico. O estilo no filme - uma releitura amplificada do barroco de Orson Welles - foi considerado ideologicamente nocivo por autoridades comunistas que cobravam da arte cinematográfica a função de propaganda eleitoral.
“Soy Cuba” é um filme-pássaro. No seu vôo inventa a dura realidade da ilha pré-revolucionária para dizer exatamente como ela era. Sua (re)descoberta deeixa lições para todos aqueles que amam o Cinema e a luta política: o cinema político-criativo é possível e necessário, a pobreza ou riqueza da produção nunca justificará o acovardamento estético e não existe abismo entre as realidades sociais e as irrealidades poéticas.
“Soy Cuba” nos convoca para esta luta. Sem perder a ternura jamais.
Miguel Haoni
(APJCC - 2009)
Serviço:
Dia 10/09 (quinta)
às 18:30 h
No Teatro do CCBEU
(Padre Eutíquio, 1309)
ENTRADA FRANCA
Realização: CCBEU
Parceria: APJCC
Apoio: Cineclube Amazonas Douro
Programação completa de setembro na comunidade do Cine CCBEU:
criado por cinemateus    23:29 — Arquivado em: Sem categoria

1/9/09

Comemorando o aniversário de 2 anos de criação o Cine UEPa apresenta sessão especial em homenagem à John Hughes

Cine Uepa apresenta: (Homenagem à John Hughes)

Curtindo a vida adoidado (Ferris Bueller’s Day Off). John Hughes. 1986. Metrocolor. Panavision. 103’.

John Hughes era um homem apaixonado pela liberdade. Era também um homem radical: para ele a verdadeira liberdade só era possível na juventude, afinal “quando você envelhece seu coração morre”. Curtindo a Vida Adoidado é mais que um clássico de sessão da tarde, é mais do que um filme divertido com aquela música bacana dos Beatles na trilha sonora. O dia em que Ferris Bueller mata aula é o grito de um artista que tinha uma mente fervilhante e sabia traduzir tanta ânsia de ser livre em imagens tão lindas e inesquecíveis que são capazes de ressuscitar até o mais morto dos corações.

Felipe Cruz - APJCC.

“SAVE FERRIS!”. Qual adolescente nascido nos 80 não pichou sua carteira escolar com os dizeres libertários? Só quem não assistia a sessão da tarde! (Quem não assistia sessão da tarde?). Ao som de Twist and shout a gente pulava, gritava, sorria, se emocionava, se encantava…E depois que crescemos? Quando envelhecemos o nosso coração morre mesmo?
O medo de rever o clássico que trouxe tantas alegrias no passado era o de transformar um sentimento nostálgico num prazer culpado (guilty pleasure). Seria enfim o sepultamento da inocência? Rever “Curtindo a vida adoidado” seria enfim descobrir que o prazer que sentimos se devia à empolgação da época e não à qualidade do filme?
Milagrosamente, descobrimos outro filme! Não o filme dublado entre intervalos e em full screen que vimos na nossa tv, mas um filme que em si – por exemplo - é uma ode ao cinemascope! Os personagens – todos – mais que encantadores se revelaram símbolos de uma era; sem falar no ritmo, nas cores, na mise-en-scene, na decupagem… enfim, nos vimos obrigado a mudar de slogan: “SAVE HUGHES” – as carteiras da UEPa que nos perdoem…
Revendo a obra de John Hughes descobrimos que, além de ser um dos maiores cineastas de todos os tempos (sendo o maior no gênero que abraçou), este homem sensível e extremamente corajoso, nos legou uma obra-prima sobre a arte de amar a liberdade, que merece ser respeitada como tal. Vos convoco crianças, adolescentes e adultos: não percam seu tempo enfurnados nas salas aprendendo a obedecer para mandar mais tarde… venham assistir “Ferris Bueller’s Day Off”… pois as grandes obras de arte do nosso século não se encontram mais nos museus, mas nos cineclubes.
SAVE HUGHES! Descanse em paz (ou como quiser).

Mateus Moura - APJCC.

SERVIÇO:
Local: CCSE/UEPA – Sala de recitais – Bloco IV (Djalma Dutra s/n)
Data: 08/09/09 (terça-feira)
Hora: 18:30
Entrada franca!

AÇÃO: APJCC (ASSOCIAÇÃO PARAENSE DE JOVENS CRÍTICOS DE CINEMA)
BLOG: http://apjcc.blog.terra.com.br/
COMUNIDADE:  http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?rl=cpp&cmm=37014176

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O mês de setembro traz convidados especiais ao Cine CCBEU

Cine CCBEU: Programação de setembro

03/09 - “Memórias de um Assassino” de Bong Joon-Ho
Comentários: Prof° Décio Guzman (UFPA)
10/09 - “Soy Cuba” de Mikhail Kalatozov
17/09 - “Chinatown” de Roman Polanski
Comentários: Juliana Maués
24/09 - “Underground” de Emir Kusturica
Serviço:
Toda quinta
às 18:30
no Cine-teatro do CCBEU
(Padre Eutíquio, 1309)
ENTRADA FRANCA
Realização: CCBEU
Parceria: APJCC
Sinopse de “Memórias de um Assassino”:

(Salinui Chueok, Coréia do Sul, 2003)
Direção: Joon-Ho Bong
Elenco: Kang-Ho Song, Sang-Kyun Kim, Roe-Ha Kim, Jae-Ho Song
Duração: 130 min.

Do
mesmo diretor de “O Hospedeiro” (Gwoemul, 2006), o filme inspira-se em
caso real. Entre 1986 e 1991, quando a Coréia do Sul era governada por
uma ditadura militar e a população vivia sob lei marcial, com toques de
sirenes que obrigavam os habitantes das cidades a se recolherem às suas
casas, uma pequena cidade rural coreana da província de Gyunggi
enfrentou a ameaça de um serial-killer de mulheres. Memórias de um
Assassino dramatiza os acontecimentos da época, enfocando os esforços
ineficazes e atrapalhados da polícia local para tentar capturar o
maníaco utilizando-se de métodos violentos.

Mais informações na comunidade do Cine CCBEU no orkut:
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23/8/09

Fim do ciclo “The Magnificent Anderson’s Part I”

Cine CCBEU apresenta: “Sangue Negro” de Paul Thomas Anderson

Não existe indivíduo mais crítico ao imperialismo norte-americano e suas consequências espirituais do que o artista norte-americano. E mesmo no cinema - instância maior de defesa do capitalismo e suas instituições - muitos são os diretores que apontam a selvageria e a corrosão do sistema: de Charles Chaplin a Michael Mann.
Paul Thomas Anderson e seu “Sangue Negro” entram nesta história desbravando duas fronteiras: ao estudar o mito de fundação do capitalismo moderno e suas articulações demoníacas, o autor realiza a imersão no interior do indivíduo. Para cada poço cavado em solo californiano, um jorro de humanidade (no pior sentido da palavra); para cada plano geral, um close-up.
Construído nesta chave ambígua, “Sangue Negro” é o coroamento de um estilo, é música e estranhamento, é Satanás e a América num balé de silêncios.

Miguel Haoni
(APJCC - 2009)

Serviço:
Dia 27/08 (quinta)
às 18:30 h
No Teatro do CCBEU
(Padre Eutíquio, 1309)
ENTRADA FRANCA

Realização: CCBEU
Parceria: APJCC

Artigos sobre o diretor na comunidade do Cine CCBEU no orkut:
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22/8/09

O papa Roberto Rossellini fecha o ciclo “As idéias e os filmes da vida de François Truffaut”. SENZA ROSSELLINI NON SE PUOI VIVERE!

Cineclube Aliança Francesa apresenta:

Stromboli. Roberto Rossellini. 1950. p/b. 107’.



Ingrid Bergman, vedete do star system americano, troca o posto estelar de protegida de Alfred Hitchcock - um dos homens mais poderosos da maior indústria cinematográfica do mundo – para atuar nos pobres filmes do belo italiano Roberto Rossellini. Conquistas amorosas a parte, podemos dizer que a atriz sai do vinho para água, da ebriedade para a sobriedade, da fantasia para a realidade.
Em entrevista, Hitchcock, quando questionado acerca da declaração de Rossellini de que o cinema estava morto, respondeu friamente: “só se for o dele”. O próprio Roberto Rossellini mais tarde ia declarar que não se via como um “cineasta”.
Afinal, Rossellini faz cinema? A melhor resposta é: não como Hitchcock, ou, não como Hollywood. Para Rossellini, por exemplo, um bom roteiro não deve atingir dez páginas e “trama” é pra quem não respeita a vida. O compromisso maior é com a verdade, e a postura diante de um objeto do mundo deve ser de distância crítica. “Acompanhar e descrever um ser em todas as suas impressões e descobertas”, eis a definição de seu método novo de realismo. Rossellini – diferente de Hitchcock (um homem que pensava em imagens) – era um homem que pensava na realidade. Se questionava: “As coisas estão na nossa frente, pra que inventá-las?”
O heroísmo, a inteligência, a novidade de método e a ética de Roberto Rossellini o coroou papa do cinema moderno - guru da nouvelle vague e dos cinemas novos e pobres ao redor do mundo. Seu ensinamento máximo de que é preciso apenas “uma câmera na mão e uma idéia na cabeça” para se fazer um filme libertou o cinema de vários supérfluos, e encorajou visionários ao redor do mundo.
Stromboli inicia sua fase “bergmaniana”. Incompreendido na Itália, é na França, pelos jovens turcos da Cahiers Du Cinema e por André Bazin, que Rossellini vai ser defendido por seus novos filmes. Mais rigoroso e lúcido que nunca, o italiano enfrenta os homens, mulheres, peixes e vulcões com a câmera em punho e o olho atento . Aprendamos com o grande mestre do cinema moderno, vivendo (o cinema) que se aprende.

Mateus Moura.

SERVIÇO:
Local: Aliança Francesa (Tv. Rui Barbosa, 1851, entre Mudurucus e Conselheiro Furtado)
Data: 26/08/09 (quarta-feira)
Horário: 19:00
Legendas em português
Entrada Franca


AÇÃO: APJCC (ASSOCIAÇÃO PARAENSE DE JOVENS CRÍTICOS DE CINEMA)
BLOG: http://apjcc.blog.terra.com.br/
COMUNIDADE:  http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?rl=cpp&cmm=37014176

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20/8/09

Carta dos cineclubistas da região metropolitana de Belém

A experiência da troca de conteúdos e vivências proporcionada pela participação nos DIÁLOGOS CINECLUBISTAS ? A fala das práticas - Relatos de experiências e rodas de diálogos, evento livre, democrático e independente, realizado nos dias 17, 18 e 19 de agosto de 2009 em locais onde são desenvolvidas as mais diversas praticas cineclubistas em Belém e em Ananindeua, trouxe para os seus participantes a certeza de que o CINECLUBE é um espaço de construção de aprendizados e diálogos democráticos e necessariamente uma ferramenta educativa capaz de formar consciências e culturas poéticas e visuais, pelas quais o ser humano pode vir a criar e a produzir um novo pensamento, assim como a arte na sua plenitude política e libertária.

Nesse sentido, nós, abaixo-assinados, realizadores, produtores e técnicos, atores e atrizes, cineclubistas, críticos e pesquisadores, exibidores e amantes do cinema, representantes de projetos e organizações com forte atuação em Belém e em Ananindeua, resolvemos tornar pública a CARTA DOS CINECLUBISTAS DA REGIÃO METROPOLOTANA DE BELÉM, com o objetivo de refletir, compartilhar e sugerir idéias e propostas para fortalecer o cinema, o audiovisual e o cineclubismo no Estado do Pará.

CONSIDERANDO:

* Que a dimensão continental e a diversidade cultural amazônidas são fatores que devem ser referenciados de forma a que sejam rompidas as amarras impostas pelo processo colonizador que cria padrões culturais e mediáticos - internacional e nacional -, que dificulta o direito à produção do conhecimento pelos povos de nossa Região;
* Que a produção e a difusão audiovisual que considerem identidades e modos de vida na Amazônia são premissas básicas para que instauremos um processo de construção de novas perspectivas poéticas e visuais capazes de fazer frente às referências audiovisuais impostas pela indústria cultural;
* Que é inalienável o direito dos realizadores paraenses garantirem que os seus filmes sejam vistos pela comunidade, do mesmo modo que é também inalienável o direito do povo paraense e amazônida de ter acesso às obras cinematográficas e reflexões críticas produzidas na Região e no mundo;
* Que esta consciência também é uma garantia de fortalecimento do atual momento, pelo resgate da memória do cinema e do imaginário de si mesmo;
* Que o atual estágio de amadurecimento coletivo das organizações culturais autônomas amazônidas está em sintonia com o avanço dos movimentos sociais;
* Que o CINECLUBE tem características colaborativas e solidárias, pelo que as suas atividades são desenvolvidas de forma democrática, mediante compromisso ético e cultural, sem fins lucrativos;
* Que as ações de caráter cineclubista dependem de atores voluntários que não economizam esforços para realizar as suas intervenções, na medida em que são amantes do cinema e acreditam na construção de uma cultura visual poética e estética capaz de propor a reflexão crítica amazônida e democratizar a cultura cinematográfica mundial;
* Que os praticantes do cineclubismo consolidam e ampliam os circuitos de exibição e fortalecem uma cadeia produtiva (audiovisual e intelectual) solidária, com investimento na economia local, de modo que para as práticas cineclubistas são fundamentais e para a divulgação das obras cinematográficas, na medida em que as tornam conhecidas da comunidade.

PROPOMOS:

1. Apoio a campanhas e iniciativas promovidas pela Federação Internacional de Cineclubes (FICC) e pelo Conselho Nacional de Cineclubes (CNC);
2. Implementação de políticas públicas de fomento e fortalecimento da atividade cineclubista no Estado de Pará;
3. Estadualização dos editais nacionais do audiovisual;
4. Inclusão de ações de fomento à atividade cineclubista no Plano Estadual de Cultura e nos editais que venham a ser lançados no campo audiovisual paraense;
5. Inclusão da participação de pessoas físicas em editais cineclubistas (o fomento estatal deve assimilar à dinâmica e a complexidade cineclubista como um movimento que não necessariamente está vinculado a entidade com corpo jurídico consolidado);
6. Criação da bolsa-cineclube;
7. Criação de bolsas de pesquisa em cinema e cineclubismo;
8. As ações governamentais devem necessariamente interiorizar as ações cineclubistas;
9. Fortalecimento da Rede Paraense de Cineclubes, fazendo distribuir informação, artigos, cartas, manifestos e vídeos em redes sociais, listas de discussão de redes afins, estreitando a comunicação entre outras redes de cineclubes na Região Amazônica e do mundo;
10. Criação da Comissão Organizadora da JORNADA PARAENSE DE CINECLUBES, com designação de autonomia para desenvolver uma proposta estrutural de realização da mesma;
11. Criação da Federação Paraense de Cineclubes;
12. Apoio as organizações sociais que desenvolvem ações cineclubistas no Estado do Pará;
13. Estímulo à criação e acompanhamento de novos cineclubes, dentro de uma política de economia solidária, embutida em uma estrutura de formação, pesquisa, reflexão, produção, exibição, distribuição e preservação da cultura audiovisual paraense e amazônida;
14. Apoio à deslocamento para participação dos cineclubes paraenses nos eventos estaduais, nacionais e internacionais;
15. Investimento em publicações referentes ao movimento cineclubista, como artigos, críticas e material impresso de divulgação coletiva das programações;
16. Investimento no Circuito Paraense de Cinema em toda a rede de cineclubes, estadual, nacional e internacional, em parcerias diretas com instituições e empresas;
17. Investimento na distribuição e exibição do acervo de produções do audiovisual paraense e amazônida;
18. Digitalização e disponibilização à comunidade, inclusive pela inernet, do acervo do Museu de Imagem e Som ? MIS;
19. Promover intercâmbios para fortalecer a rede solidária cineclubista;
20. Inclusão das organizações de cineclubes nos colegiados de decisão das políticas públicas do setor cultural;
21. Participação das organizações de cineclubes nos espaços públicos cinematográficos (Cine-Teatro Líbero Luxardo, Maria Silva Nunes, Cine Acyr Castro e Cinema Olímpia);
22. Inclusão de propostas cineclubistas em projetos como Escola Aberta e outros desta natureza;
23. Criação da CINEMATECA DO PARÁ, com estrutura para consulta e empréstimo de acervo, assim como a criação de um banco de memória e da história do audiovisual e do cineclubismo paraense.
24. Estímulo às práticas cineclubistas em espaços urbanos (praças, ruas, feiras);
25. Investimento em circuitos cineclubistas com a produção audiovisual desenvolvida pelas comunidades paraenses;
26. Fomento aos circuitos cineclubistas itinerantes;
27. Estímulo à produção e difusão cineclubista de filmes destinados ao público infantil;
28. Estímulo à produção e difusão cineclubista de filmes que tenham como tema as comunidades tradicionais;
29. Uso da licença ?CREATIVE COMMONS? como política de fomento à produção audiovisual;
30. Distribuição em ?CREATIVE COMMONS? dos produtos audiovisuais resultantes de fomentos estatal;
31. Fortalecimento de experiências cineclubistas desenvolvidas no âmbito da administração pública, como o CINE-UEPA, CINE-EGPA, CINE PEDRO VERIANO, SESSÃO CULT, e outras;
32. Investimento para o MAPEAMENTO da produção audiovisual e das práticas cineclubistas paraenses.

ENCAMINHAMENTOS:

* Apresentação e discussão da CARTA DOS CINECLUBISTAS DA REGIÃO METROPOLOTANA DE BELÉM com os gestores da administração;
* Divulgação CARTA DOS CINECLUBISTAS DA REGIÃO METROPOLOTANA DE BELÉM por todos os meios possíveis;
* Convocação do movimento cineclubista paraense para a instauração da Comissão Organizadora da JORNADA PARAENSE DE CINECLUBES, com designação de autonomia para desenvolver uma proposta estrutural de realização da mesma, conforme pauta já discutida e definida coletivamente por este movimento, e pactuada por todos os setores para o dia 11 de setembro de 2009, às 15 horas, na Casa da Linguagem.

Independentemente destas propostas que formulamos para que as mesmas sejam levadas ao debate da sociedade e apresentadas aos gestores das instituições públicas culturais bem como a empresas que têm responsabilidade e compromisso com a formação da comunidade, a CARTA DOS CINECLUBISTAS DA REGIÃO METROPOLOTANA DE BELÉM está aberta para novas adesões e construção de novas propostas.

Belém, 19 de Agosto de 2009

Assinam a CARTA DOS CINECLUBISTAS PARAENSES:

Cineclubes:

1. CINECLUBE ALIANÇA FRANCESA
2. CINECLUBE AMAZONAS DOURO
3. CINECLUBE ARGONAUTAS
4. CINECLUBE CENTRO CULTURAL BRASIL ESTADOS UNIDOS (CINE CCBEU)
5. CINECLUBE CINEMA NA UTOPIA
6. CINECLUBE CORREDOR POLONÊS
7. CINECLUBE NANGETU
8. CINECLUBE REDE APARELHO
9. CINE MOCULMA

Projetos:

10. PROJETO AZUELAR
11. PROJETO CINEMA DE RUA
12. PROJETO IDADE MÍDIA
13. PROJETO MAZAGÃO
14. PROJETO RESISTÊNCIA MARAJOARA
15. REVISTA PARÁ ZERO ZERO

Organizações:

16. ARGONAUTAS AMBIENTALISTAS DA AMAZÔNIA
17. ASSOCIAÇÃO PARAENSE DE JOVENS CRÍTICOS DE CINEMA (APJCC)
18. CENTRO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM EDUCAÇÃO POPULAR (CEPEPO)
19. COLETIVO MARGINÁLIA
20. FÓRUM DOS POVOS E DAS COMUNIDADES TRADICIONAIS
21. INSTITUTO NANGETU DE TRADIÇÃO AFRO-RELIGIOSA E DESENOLVIMENTO SOCIAL
22. MOVIMENTO CULTURAL DA MARAMBAIA - MOCULMA
23. PONTO DE CULTURA ANANIN
24. PONTÃO DE CULTURA REDE AMAZÔNICA DE PROTAGONISMO JUVENIL

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